Quartier Latin
1988-1992 – Quatro anos de latin-fusion
O Quartier Latin foi um caso único na história da música latina na cidade de Belo Horizonte.
Idealizado por mim, Gabriel Domingos, e Luis Rojas em fevereiro de 1988 o grupo teve em sua primeira formação o chileno Enzo Merino (ex-Raíces de América) no vocal e violão.
O que causou impacto desde o primeiro espetáculo no Teatro da Reitoria da UFMG não foi o repertório, que era composto de hits da música latina como “Guantanamera”, “Yolanda”, “El condor pasa” e por aí vai. O choque para o público, que já estava acostumado a esse repertório, foi ver a performance do solista Luis Rojas passando do piano de calda para o sax, da quena para o teclado, da zampoña para o charango e isso às vezes na mesma música. A proposta do grupo já estava explícita: uma nova leitura do cancioneiro latino.
Naipe de metais nos huaynos, canções que começavam com uma sikuriada e terminavam com solo de guitarra ou solo de bateria no meio de uma cumbia eram os excêntricos arranjos feitos por Luis Rojas.
Enzo Merino teve que ir a São Paulo e não voltou mais.
Não por tão pouco tempo, mas com uma passagem rápida também, assume os vocais o peruano Alfredo Rodriguez e o grupo segue tocando em bares, festivais e nas Jornadas Culturais da UFMG, tocando em quase todo interior de Minas Gerais.
Em maio de 1989 é a vez de Cástulo Ribera assumir o violão e a voz do Quartier Latin em um show na cidade de Peçanha (MG).
Daí pra frente o grupo decolou e não faltaram excursões pelo interior mineiro, shows nos grandes teatros de BH (Palácio das Artes, Chico Nunes, Sesiminas etc.) e interior, bares, espaços culturais, calouradas e festas pátrias de diversos países latinos.
Além da formação fixa que contava com Cástulo Ribera (violão e vocal), Luis Rojas (teclados, sax, zampoñas, quena e charango), Rogério Pardal (baixo) e Gabriel Domingos (percussão) o grupo sempre contou também com as participações de Breno Albergaria (guitarra), Sérgio Silva (bateria), Mário Brescia (baixo) e diversos naipes de metais (trompete, trombone e sax).
O grupo oficialmente acabou com a volta do Luis para Bolívia em 1992 e houve várias tentativas de retorno do grupo, todas sem o mesmo efeito musical.
Fãs e músicos que passaram pelo grupo só lamentam o fato de não ter ficado nenhum registro gravado.
Quatro anos que ficaram na memória da maioria dos fãs de música latina em Belo Horizonte.
O carisma do grupo de nome francês, composto por bolivianos e brasileiros foi tão forte que até hoje, passado 15 anos da dissolução e sem nenhum cd gravado é lembrado com carinho por quem viveu aquela época.
8 de June de 2008@ 10:58 pm
Tive o prazer de assistir a apresentações do Quartier Latin.
Era amiga do Enzo Merino e do Luiz Rojas e acompanhei o sucesso deles.
Foi bom encontrar este artigo,matei saudades.
parabéns.
Soloni