As pesquisas

É impossível precisar o início da história da música latina em BH, mas na certa tudo começou com o lançamento de alguns discos.
Na mídia existente na época (tv e rádio) não se ouvia música latina na década de 70 além de boleros, tangos e rancheira mexicana associadas à musica brega.
As primeiras músicas fora desse esquema chegaram via discos de Mercedes Sosa e o primeiro do Tarancón (grupo brasileiro pioneiro em pesquisa e divulgação da música latina no Brasil).
Em BH com certeza o primeiro grupo foi o Alianza, mas isso entra no próximo artigo.
Em 77 os primeiros discos que chegaram em nossas mãos foram “Homenaje a Violeta Parra” (de 1975) da Mercedes Sosa, um lp arranhadíssimo dos Chascas (primera vez que ouvi música criolla boliviana) comprado em um sebo no Rio, o ótimo “Cancion ecuatoriana” (Jatari) lançado pela “Copacabana Discos” em 77 além do “Gracias a la vida” primeiro do Tarancon.
Entre os músicos brasileiros que absorveram a influência da latinidad estão Milton Nascimento que gravou com Mercedes Sosa (“Volver a los 17” de Violeta Parra e “Sueño con serpentes”, de Silvio Rodrigues), com o grupo uruguaio Tacuabé (“Credo” e “Casamiento de negros” no disco Clube da Esquina 2) e com o grupo chileno Água ( “Caldeira” e “Promessas do sol”).
Abílio Manoel além de cantor e compositor (“America morena”) foi produtor da Bandeirantes Discos para as coletâneas América do sol e América Latina Canta mostrando para o Brasil Victor Jara, Daniel Vigliett, Ataualpa Yupanqui, Illapu, Quillapayun  entre outros.
Dercio Marques e sua irmã Doroty lançaram os excelentes lps “Água, vento e caminho” e “Sementes”.  Diana Pequeno deu sua contribuição para divulgação da musica latina gravando Pablo Milanez e Daniel Viglietti.
Noel Guarani mostrou o lado fronteiriço sul com as milongas e malambos principalmente nos discos “Sem fronteiras” e “De pulperias”.
Raíces de América veio pouco depois já trazendo um som menos folclore puro e com uma roupagem mais pesada ganhando com isso um pouco mais de espaço na mídia.                                                                                                                                                                       Essa era então a nossa fonte de pesquisas. Se não eram completas ou totalmente verdadeiras (me refiro ao para-folclórico) valeu para conhecermos os ritmos, os sons dos instrumentos e começar a alimentar o sonho de tocar aquela música e principalmente de misturar sons da nossa América negra, índia, branca e mais que tudo, mestiça.
No próximo artigo contaremos como foram formados os primeiros grupos e como continuaram nossas pesquisas e nossas metas de não só reproduzir, mas incorporar aqueles sons à nossa música popular brasileira.

Por em 2 de April de 2008

1 Comentário »

1
emilio disse

23 de June de 2008@ 9:45 am

valeu !!!!

Deixe um Comentário