A Formação dos Grupos
Em julho de 1982 fiz minha primeira viagem à Bolívia e na minha bagagem de volta além de zampoñas, quenas, um charango e um bombo, trazia também uma música gravada em fita cassete, LP e principalmente, no coração.
Chegando a BH a grande surpresa foi encontrar na “feira hippie” (na época situada na Praça da Liberdade), brasileiros que também “cultuavam” a música andina e executavam tão bem os instrumentos que, sinceramente, fiquei confuso. Não sabia se hablava en espanhol ou português para comunicar-me com eles. Os artistas eram o Braz (grande charanguista desaparecido do nosso mapa) e o mestre do sopro Sérgio Andrade (na época tocando quena, hoje sax).
Passado o primeiro momento de constrangimento (e reconhecimento) iniciamos uma intensa troca de informações e passamos a nos encontrar duas vezes por semana (a feira acontecia as quartas e domingos).
Daí a conhecer outros brasileiros interessados em tocar música latina foi questão de tempo.
O pioneiro grupo Alianza (brasileiros que, a exemplo do Tarancón, pesquisavam a música latina folclórica) já estava formado e o único espaço cultural que abrigava esse tipo de som em BH na época era o bar “Canto Latino”.
Lá se apresentavam então toda semana Magno Ayres (violão e voz), Guto Ayres (charango, quena, zampoña e voz), Rosinha Silveira (vocal), Sérgio Alves (quenas, quenacho e ronroco), Elmo Sepúlveda (zampoñas e quena) e Paulo Cheib (percussão) tendo como convidado especial e mentor do grupo o peruano Àlvaro Quispe (zampoñas e quenas).
Era o lugar ideal também para troca de idéias e informações.
Desses encontros semanais surgiu então o primeiro grupo que participei: Illary (amanhecer, em quechua).
Fora de BH tocamos em Foz do Iguaçu, interior de São Paulo e quase todo interior de Minas.
Formado pelo Álvaro (zampoñas e quenas), Elmo (zampoñas e quenas), Sérgio (quena e charango), eu (percussão), Cacau (violão) e às vezes Sergio II (zampoña) e Braz (charango). Tocávamos essencialmente música andina instrumental enquanto o Alianza dava prioridade ao repertório vocal da música latina.
O grupo acabou quando aceitei convite do saudoso Alcides Gusmán (violão) para integrar o Kjarumanta. Composto também pelo charanguista Alex Zevallos e o recém-chegado multi-instrumentista boliviano Luis Rojas (zampoñas e quenas).
Algumas apresentações depois e alguns prodígios (como lotar o teatro Francisco Nunes) eu e Luis começamos a arquitetar outros planos e alçar outros vôos.
Era um projeto audacioso que incluía arranjos de metais para huaynos e solo de bateria para carnavalito.
Esse grupo se chamou Quartier Latin e foi nossa melhor experiência musical, principalmente pela liberdade de mistura e ousadia nos arranjos.
A história desse grupo vem no próximo artigo e viajaremos do ano de 1988 até 1992, período que durou essa grande aventura musical.
27 de October de 2008@ 8:55 pm
Olá Gabriel ! Sou Cantor e Compositor aqui do sul de Minas , pra ser preciso Pouso Alegre. Estou gravando meu 2º CD que Chamará
” ABOMINÁVEL MUNDO CÃO ” TERÁ A GRAVAÇÃO GUANTAMERA . Pois li em sua pagina que é estudioso e apreciador da musica latina ,genero que também adoro , sou apaixonaddo pelo Tarancon.
Pois bem estou numa dificuldade de achar um CHARANO BOLIVIANO , para gravar um arranjo em GUANTAMERA , quero até comprar em difinitivo pois penso em tocar em meus shows algumas musicas latinas. Obrigado e desculpe a invasão.
Meus tels são 35-3425-3017
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